A Beneficência Portuguesa e o Meio Ambiente

A Beneficência Portuguesa e o Meio Ambiente

Evocados em verso e prosa, clicado em vários ângulos e pintados com diferentes cores, os jardins da Beneficência Portuguesa, um dos pulmões verdes da área urbana de Santos, além de observatórios de aves diversas e local escolhido para reprodução de tantas outras, funciona como elemento vital para a reposição de energias, especialmente por meio da meditação que possibilita às pessoas.

Como as plantas de pequeno, médio e grande porte podem purificar os ambientes contaminados ou evitar a contaminação, e filtrar a radiação solar, os jardins com significativa quantidade de espécies diversas, além dessas propriedades, oferecem sombra, funcionam como regulador de temperaturas e tão importante quanto isso, ajudam a relaxar e regenerar as forças vitais.

Sabemos que por natureza, todos os jardins são curativos e em Santos, quem passa de carro ou a pé pela Avenida Bernardino de Campos, na quadra entre as Ruas Monsenhor Paula Rodrigues e Júlio de Mesquita, tem a atenção voltada para o heráldico imóvel da Sociedade Portuguesa de Beneficência, uma das mais significativas edificações no estilo neoclássico da cidade.

A beleza do imóvel que abriga o Hospital Santo Antônio e a parte administrativa da instituição divide as atenções com o jardim fronteiriço.

Uma alameda e grandes recuos verdes que se prolongam terreno afora, serpenteando em alguns trechos, noutros formando ilhas, noutros ainda, abrigando lagos, cascatas e quiosques, formam o grande jardim da Beneficência que abriga diferentes espécies arbóreas com exemplares da Mata Atlântica.

Os imensos Pinheiros, as Palmeiras Imperiais, os frondosos pés de Flamboyant, de Chapéu de Sol, ora ladeados, ora circundados por espécies como Pitangueira, Aroeira, Cereja do Mato, Rosedá, Ingá, Oiti, Areca Bambu e tantas outras, incluindo árvores frutíferas, dão ao jardim fronteiriço, bem como aos demais da Beneficência, além do poder de acalmar os ânimos, oxigenar os pulmões e o ambiente, o de propiciar a meditação e contemplação.

Viveiro – Além de funcionar como um dos principais e poucos pulmões verdes na área urbana da cidade, os jardins da Beneficência funcionam também como lar de inúmeras espécies de pássaros que fazem das copas mais altas, especialmente dos flamboyants e pinheiros, ninhos e observatórios.

O amanhecer e o anoitecer nos jardins da Beneficência são anunciados por uma sinfonia composta de vários sons e cantos característicos das diferentes espécies de pássaros que por lá habitam ou fazem do local rota para novos vôos. Rolinhas, bem-te-vis, cambacicas, sabiás, canários, beija flores, joãos de barro, andorinhas, pardais, periquitos, sanhaços, pica pau da cabeça amarela, maritacas e tuins entre muitos outros, compõem a orquestra da natureza que atrai observadores de idades e origens diversas.

Observatórios – A Beneficência Portuguesa (Vila Belmiro), a Praça do Sesc (Aparecida), Orquidário (José Menino), Jardim Botânico (Jardim Bom Retiro) e Hospital Guilherme Álvaro (Boqueirão), são observatórios da Cidade, para as mais diferentes espécies de aves.

Gaviões – Nessa relação de aves que vivem ou passeiam pelos jardins da Beneficência, os gaviões têm um capítulo a parte. Santos e Cubatão abrigam as populações reprodutivas dessas aves de rapina e algumas delas fazem seus ninhos ou observatórios no alto e nos mais densos galhos de flamboyant (ninhos) e no topo dos pinheiros (observatórios).

Desde 2011, a presença dessas aves de rapina tem sido acompanhada por funcionários da Beneficência Portuguesa que procuram identificar seus sons de alerta, para atrair a fêmea, para intimidar e afastar outras espécies e até para se comunicar com os filhotes no ninho que, quando ocupados, nunca ficam desprovidos da presença materna ou paterna.

Observamos que enquanto a fêmea (porte menor) sai em busca de alimento, o macho fica junto ao ninho ou em galho próximo montando guarda. Momento interessante também é quando os gaviões a uma considerável distância dos ninhos espantam outras aves. Interessante também é que eles só saem em busca de alimento quando realmente estão com fome. Fora disso, observamos pombos e outras aves voando próximo aos gaviões que se limitam a observá-las sem qualquer reação. Simplesmente as ignoram.

Já foi possível acompanharmos os primeiros vôos dos filhotes que descem das árvores para buscar alimento no chão, bem como o vôo certeiro de gaviões adultos que abocanham pombos pelo pescoço, em pleno ar.

Como a natureza tem dado alertas de saturação diante da ação do homem que ao longo dos séculos, arquitetando e construindo sobre a destruição feita por ele, desrespeitando os limites que ela (natureza) impõe, está na hora de agirmos para preservar o que ainda é possível para que os jardins continuem mais que ornamentais, principalmente curativos, e que os pulmões verdes em meio urbano proliferem, para que outros jardins como os da beneficência Portuguesa surjam para que a força curativa prevaleça tanto na qualidade das plantas, quanto dos animais, enfim, da vida.

Que 5 de Junho, Dia do Meio Ambiente seja um marco para a reflexão sobre a necessidade de colaborarmos para a qualidade de vida que precisamos e queremos. E que a reflexão se faça todos os dias.

(Redação: Noemi Francesca de Macedo / Fotos: Alexandre Neves)

 

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