Café Poético com Martins Fontes (Parte II)

Médico e poeta
Martins Fontes

             No segundo dia da Semana Martins Fontes, o Café Poético evento criado na Beneficência para homenagear o grande médico e poeta santista, dá espaço ao jornalista e cineasta Carlos Oliveira, diretor da Spectra Filmes, empresa parceira do hospital, integrando o PSH – Projeto Social de Humanização da instituição que desde 2017 desenvolve atividades para levar conforto e entretenimento aos pacientes e colaboradores.

            Em 17 de junho de 2017, em duas sessões bastante concorridas, aconteceu no Salão Nobre da Beneficência Portuguesa o lançamento do curta metragem “Como é Bom Ser Bom” evidenciando um dos muitos episódios sobre a vida de benemerência do médico e poeta Martins Fontes, com várias cenas ‘rodadas’ na Beneficência onde trabalhou e veio a falecer em 1937.

Cineasta Carlos Oliveira

           O depoimento do cineasta santista Carlos Oliveira sobre sua pesquisa relacionada à vida e obra do grande poeta é também uma homenagem ao ator, dramaturgo e diretor teatral Osvaldo Araújo que faleceu neste ano, vitima da covid-19. Osvaldo que além de responsável pelo argumento e roteiro, também integrou o elenco de “Como é Bom Ser Bom”, participou de edições do Café Poético com Martins Fontes realizado na Beneficência Portuguesa.

          Na sequência, o depoimento de Carlos Oliveira e o poema de Martins Fontes que mais o emociona é o prefácio do livro “A canção de Ariel”, editado postumamente, em junho de 1938.

Ator, dramaturgo
Osvaldo de Araújo

        “Minha “parceria” com Martins Fontes teve início quando o meu saudoso amigo Osvaldo Araújo, ator, dramaturgo e diretor teatral, contou-me a história da vendedora de queijadinha que foi ajudada pelo Dr. Zezinho, como sugestão para um curta. Pesquisei e não encontrei essa história contada ou mencionada em nenhum lugar. Portanto, parecia inédita. Curioso como há histórias lindas que são vividas, mas nunca escritas. Eu, apaixonado pela história de Santos desde a infância, não deveria recusar tal oportunidade. Topei em fazermos a adaptação.

        O Osvaldo escreveu um argumento inicial e juntos desenvolvemos o roteiro. O projeto de “Como é bom ser bom” foi premiado pelo concurso do FACULT, com apenas 15 pessoas na ficha técnica. Em 2017, filmamos o curta em 24 locações, com 47 profissionais na equipe, 15 atores e 38 figurantes, além de várias entidades e organizações que apoiaram o projeto, como a Sociedade Portuguesa de Beneficência, que cedeu espaços e objetos de época para a filmagem de muitas cenas do filme.

Poster do filme
na Beneficência

         A grande maioria dos colaboradores adicionais trabalhou voluntariamente, por também admirarem a figura de Martins Fontes e acreditarem na relevância cultural do filme. Durante a produção seguimos o rastro de benevolência deixado pelo Dr. Zezinho, encontrando parentes de pacientes tratados por ele. Cada pessoa grata colaborou de alguma forma, com uma informação, emprestando algum objeto ou espaço ou colaborando com algum serviço de produção.  Foi uma experiência maravilhosa e inesquecível.

        Quantas mãos trabalhando num clima de união e amor à arte, para uma obra sobre caridade e gratidão! O cinema é uma arte coletiva, mas Martins Fontes pegou emprestadas as nossas mãos para ratificar o seu lema de vida. Sua alma projetada brilha além do cinema e além do tempo”. 

       Prefácio do livro “A canção de Ariel”, verdadeiro poema de Martins Fontes, o predileto do cineasta

                         A realidade já não nos contenta. Queremos sair da Natureza.

                         É impossível, mas tentamos este absurdo.

                         Os desejos irrealizáveis são os mais ardentes.

                         Sofremos a ânsia do desconhecido, a sede do além.

                         Queremos o novo, outra coisa.

                        Atrai-nos o invisível, o intangível, o irreal.

                        O universo sensível somos nós. Fujamos de nós.

                         A ultrafísica, a hiperquímica deslumbram!

                         Pesemos a luz, decomponhamos o espectro solar.

                         Imponderabilizemo-nos.

                         Cantemos o perfume da claridade, os aromas sonoros,

                         a aparência das coisas, a matéria em estado radiante, transirradiante!

                         Todas as criaturas bem nascidas sentem a tortura da humanização.

                         Alteremos as formas. Alar!

                         Realizemos os sonhos impossíveis.

                         Povoemos de fantasmas toda a terra.

                         Espiritualizemos todo o universo.                                                                                                                                             

*Prefácio do livro ” A canção de Ariel”, editado postumamente, em junho de 1938.  Fonte: Novo Milênio.

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