Queimaduras – prevenir ainda é o melhor remédio

Queimaduras – prevenir ainda é o melhor remédio

A Sociedade Brasileira de Queimaduras alerta que nos meses de junho e julho aumentam os casos de queimaduras em crianças e adolescentes, as principais vítimas desse tipo de acidente no Brasil.

No mês de junho, período de festas juninas, as pessoas têm mais contato com fogueiras, fogos de artifícios e em julho, mês de férias escolares, as crianças passam mais tempo em casa.

Embora as queimaduras estejam relacionadas como um dos principais acidentes envolvendo crianças e adolescentes pode acontecer a qualquer hora e a qualquer pessoa independentemente da idade e das circunstâncias. É provado que prevenção ainda é o melhor remédio, principalmente se levarmos em conta que o tipo de acidente pode ser fatal ou deixar sequelas.

Luciana Suguiyama Veras - enfermeira responsável pela Central de Curativos e Câmara Hiperbárica da SPB, pós graduada em Dermatologia pela Universidade Gama Filho, habilitação em Oxigenoterapia Hiperbárica pelo Undersea and Hyperbaric Medical Society (UHMS) e em Podiatria Clínica pelo Centro de Estudos NormaGuill (Ceng)
Luciana Suguiyama Veras – enfermeira responsável pela Central de Curativos e Câmara Hiperbárica da SPB, pós graduada em Dermatologia pela Universidade Gama Filho, habilitação em Oxigenoterapia Hiperbárica pelo Undersea and Hyperbaric Medical Society (UHMS) e em Podiatria Clínica pelo Centro de Estudos NormaGuill (Ceng)

A enfermeira Luciana Suguiyama Veras, que trabalha na Central de Curativos e no Serviço de Hiperbárica da Beneficência Portuguesa, alerta para os cuidados em casos de queimadura. Inicialmente ela explica os tipos de queimaduras.

“Queimaduras são feridas causadas na maioria das vezes por agentes térmicos (frio ou calor, eletricidade, fogo, vapores e raios solares), químicos (ácido clorídrico, soda cáustica, solvente, aerossol e inseticidas), elétricos (corrente elétrica), radiação (queimaduras solares), substâncias inflamáveis (álcool, gasolina, solventes, gás de cozinha) e explosivos”.

Explica ainda que as queimaduras são classificadas em 1º, 2º e 3º graus, de acordo com sua extensão e profundidade que podem atingir músculos e ossos.

1º grau – quando atinge a camada mais superficial da pele, a epiderme. O local atingido fica vermelho, quente e dolorido, mas não há formação de bolha.

2º grau – há destruição da epiderme e derme com dor mais intensa e normalmente aparecem bolhas.

3º grau – acontece a destruição total de todas as camadas da pele. A dor é geralmente pequena, quase indolor porque a queimadura danifica as terminações nervosas da pele. Nesse caso pode chegar até aos ossos e gerar deformidades.

Luciana reforça que em casos de queimaduras a ação com relação ao atendimento tem que ser imediata, mas com atenção ao agente causador.

“Em se tratando de queimadura provocada por líquido quente, a primeira providência é retirar a roupa da vítima (sem retirar o que estiver grudado na pele) e esfriar a queimadura com água a temperatura ambiente por 10 a 15 minutos. Se a queimadura for causada por fogo, apagar o fogo com água; cobrir com cobertor ou rolar a vítima pelo chão. Quando for por eletricidade, afastar a fonte de energia (fio elétrico) com um isolante (madeira, plástico, corda e papelão) antes de socorrer a vítima. Em casos de queimaduras por produtos químicos, remover rapidamente a roupa e lavar abundantemente com jatos de água por 15 a 20 minutos”.

Continuando, Luciana Veras orienta para os primeiros atendimentos em outros tipos de queimaduras: “Em casos de queimaduras solares, promover o resfriamento das áreas afetadas e aplicar de forma abundante, hidratante, cremes e géis. Nas queimaduras por agentes biológicos (água viva), lavar a área com água corrente e proteger o local com um pano limpo. Já as queimaduras por fogos de artifícios, proteger a área lesionada com pano limpo, em casos de lesão nos dedos ou na mão, elevar o braço para diminuir a hemorragia. Atenção, não apenas nos casos de lesões graves, mas em qualquer situação, as vítimas de queimaduras devem ser encaminhadas, imediatamente a um serviço médico de urgência”.

Luciana e hiperbáricaO que não fazer – As pessoas têm o hábito de na expectativa de aliviar o sofrimento da vítima de queimadura, aplicar soluções caseiras, que longe de amenizar, piora o quadro. A enfermeira Luciana Veras fala sobre o que não se pode fazer em casos de queimaduras:

“Não toque na queimadura com as mãos, não fure bolhas; não tente retirar a roupa grudada na pele queimada; não coloque manteiga, pó de café, creme dental, gelo, óleo de cozinha, pomadas ou qualquer outra substância sobre a queimadura, assim como não pode apertar o ferimento. Somente o médico sabe o que deve ser aplicado sobre o local afetado, por isso leve a vítima imediatamente a um hospital onde o tratamento a ser aplicado irá depender do tipo de queimadura”.

Prevenção – A maioria dos casos de queimaduras acontece na cozinha, por isso, neste cômodo, a atenção deve ser dobrada, assim, a primeira medida é manter as crianças longe desse local, especialmente do fogão. Especialistas dizem que a prevenção das queimaduras, principalmente em casa requer medidas relativamente simples que servem para aumentar a segurança de pessoas em qualquer idade.

Da cartilha de prevenção da Sociedade Brasileira de Queimaduras, retiramos algumas dicas:

 

  • Coloque as panelas nas bocas traseiras do fogão e com os cabos virados para trás ou para o lado;
  • Tire as crianças da cozinha quando estiver utilizando o forno ou o fogão e nunca as deixe sozinhas;
  • Mantenha cabos e alças em bom estado, para evitar que se soltem e derramem o conteúdo quando erguer as panelas;
  • Mantenha o registro do gás fechado quando não estiver utilizando o fogão;
  • Nunca deixe fósforos e isqueiros ao alcance de crianças;
  • Evite utilizar qualquer tipo de chama dentro de casa, seja para aquecimento, seja para iluminação. Se não puder evitar, deixe as chamas distantes de tecidos (cortinas, tapetes, toalhas) e sempre sob sua visão. Não espalhe velas pelos cômodos da casa;
  • Mantenha o ferro de passar roupas longe das crianças;
  • Guarde solventes, combustíveis, como o álcool, e outros produtos químicos em recipientes adequados, devidamente fechados e fora do alcance de crianças;
  • Evite exposição prolongada ao sol e sempre use filtro solar;
  • Durante o banho do bebê: coloque primeiro a água fria e verifique a temperatura da banheira com o cotovelo ou dorso da mão;
  • Cuidado com os fios de eletrodomésticos. Se possível, mantenha os no alto;
  • Fogos de artifício devem ser manipulados por profissionais e NUNCA por crianças;
  • Nas festas juninas não permita brincadeiras com balões ou de saltar fogueira;
  • Verifique sempre o estado das instalações elétricas. Fios desencapados podem ser muito perigosos;
  • Evite ligar vários aparelhos eletrônicos em uma mesma tomada;
  • Substitua as fiações antigas e desencapadas. Os fios devem ficar isolados em locais adequados como canaletas e conduites;
  • As tomadas devem ser protegidas por tampas apropriadas, esparadrapo, fita isolante ou mesmo cobertas por móveis;
  • Evite usar benjamins ou extensões. Muitos aparelhos ligados na mesma tomada podem causar sobrecarga e curto circuito na fiação;
  • Só permita que as crianças empinem pipas em campos abertos, com boa visibilidade, sem a presença de fios e postes de eletricidade;
  • Oriente sobre os perigos de entrar nas áreas das estações de distribuição ou nas de torres de transmissão;
  • Cuidados com eletrodomésticos em mau estado de conservação como ventiladores e geladeiras, que podem causar choque e curto circuito;
  • Antes de consertos e reformas, desligue a chave geral. Opte sempre pelos serviços de um profissional;
  • Desligue o chuveiro antes de mudar a chave verão/inverno;
  • Não coloque objetos metálicos (facas, garfos, etc.) dentro de equipamentos elétricos;
  • Apague velas e candeeiros quando sair de casa;
  • Velas ou candeeiros acesos em móveis de madeira, perto de cortina, mosquiteiro ou colchões podem causar incêndio em poucos minutos;
  • Deixe itens inflamáveis como roupas, móveis, jornais e revistas longe da lareira, do aquecedor e do radiador;
  • Cheque os perigos de incêndio. Procure por fios desencapados ou materiais inflamáveis próximos à fonte de calor, como aquecedores de ambiente.
  • Tire todos os aquecedores portáteis do alcance das crianças;

 

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