Xô estresse

          Não é fácil mudar a nossa rotina, nossos comportamentos e nossas atividades, e adotar o isolamento social. Porém, em tempos de pandemia essa atitude que corresponde a uma das medidas preventivas, com objetivo de evitar a disseminação da covid-19, é fundamental.

          Por mais que tenhamos consciência da importância do isolamento, não podemos negar que o distanciamento causa um impacto na saúde emocional, aumentando o estresse em que vivemos.

          E quando a preocupação com relação ao distanciamento não se restringe apenas a nós e ao núcleo familiar que habita nosso teto, principalmente quando nossos pais, idosos, por tanto, do grupo de risco, moram noutro imóvel, noutra rua, noutro bairro, a sobrecarga emocional aumenta o estresse.

        Junte a essa sobrecarga a tensão diária do ir e vir do trabalho, do contato com n pessoas alheias ao universo (casa, trabalho) diminuto devido a pandemia. O resultado é, mesmo para quem é conhecida pela serenidade, bem desgastante, como explica Marlene Gonçalves de Santana Freire, assistente administrativa, lotada no Serviço de Protocolo da Beneficência Portuguesa,que encontrou na ginástica diária, uma forma de desestressar.

“Respirar fundo e uma hora de exercícios” 

         Marlene sempre soube que a prática diária de exercícios físicos é uma ótima   alternativa para aliviar os sintomas do estresse, mas não se habilitava a adotá-la. Para ela, as caminhadas antes do jantar com a Marrom, que está completando 15 anos, sete dos quais em sua companhia, era suficiente. Ela acreditava que caminhar e brincar com a Marrom, uma cachorrinha que tirou das ruas onde foi abandonada e hoje é o xodó da família, bastava para dissipar a tensão do dia a dia.

        Mas chegou a covid-19 e com ela a mudança na rotina, a redução do contato social tanto em casa como no trabalho, e aquele controle que ela achava que tinha sobre suas emoções foi se diluindo.

        Também pudera! O distanciamento dos pais (contato, mesmo que diário, apenas por telefone), na Beneficência, uma realidade totalmente diferente da que ela estava habituada nesses catorze anos de trabalho, com alterações necessárias de acordo com os protocolos decorrentes da pandemia, o estresse se tornou evidente e Marlene se rendeu à prática de exercícios para desestressar, como nos relata:

        “Nessa fase de pandemia, para desestressar, por incentivo da minha filha, faço ginástica. Minha filha foi muito persistente.

        Quando ela chega do trabalho já estou pronta para a aula. Ela coloca um vídeo e vamos lá. Respirar fundo e partir para uma hora de exercícios. Depois, uma caminhada com minha cachorrinha, a Marrom, que já adulta, (tinha cerca de 8 anos), foi abandonada, mas hoje, faz parte da família e com tanto carinho que recebe, com certeza, sabe que é muito amada. Quando chego em casa, após o trabalho, ela escuta mexendo na porta e vem ao meu encontro. Não sei se por saudade ou pela comidinha (esse é o horário de sua refeição noturna), mesmo assim é minha alegria, assim como é estar com a família e conversar sobre o dia de cada um.

        Minha rotina não mudou muito pois sou uma pessoa caseira. Gosto de ver filmes, mas sinto falta da caminhada na praia. Minhas maiores preocupações são:

  1. Meus pais, que idosos fazem parte do grupo de risco e eu não posso visita-los como fazia antes. É muito triste, pois só falo com eles por telefone. Quando tudo isso passar, a primeira coisa que vou fazer é correr para abraçá-los
  2. Tomar todos os cuidados necessários para não ser contaminada pela Covid e para não transmitir para meus familiares. Quando saio de casa para a Beneficência, faço uma oração e bora trabalhar. Aí procuro não pensar na doença. Foco só no trabalho e esqueço o estresse”.

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