Xô estresse!!!

        Estudos afirmam que o hábito de ler vários livros ao mesmo tempo força o nosso cérebro a lembrar de mais coisas e abrir espaço para mais memórias. Misturar autores e gêneros é uma maneira de tornar a leitura muito mais divertida.

       Parece complicado, mas existem pessoas que conseguem ler duas, três, quatro, até cinco ou mais obras simultaneamente e lembrar de todos os argumentos. Tenham certeza de que é um excelente exercício, além de proporcionar várias viagens literárias ao mesmo tempo e de quebra, transformações sociais e avanços nas práticas de leitura e de escrita. 

       A múltipla leitura desde os tempos de criança é uma das marcas na vida da oncologista Sueli Monterroso da Cruz, responsável pelo Serviço de Quimioterapia  da Beneficência Portuguesa, que para desestressar nesse momento (que dura meses), em que vivemos uma pandemia mundial com grande parte das pessoas em quarentena, com regras de distanciamento social, lê muito, um dois, três livros ao mesmo tempo.

 “Recorro às leituras que transformaram minha vida”

        Passos curtos e rápidos, cabelos presos, olhar animoso, voz pausada e sorriso franco, lá vem ela pelos corredores em direção à Oncologia para mais uma consulta, na realidade uma conversa, uma orientação ao paciente ou ao familiar que o acompanha. Mas pode ser que aquelas passadas rápidas aconteçam por que está indo ao encontro dos médicos residentes para mais uma explanação, uma troca de informação sobre atendimento/tratamento oncológico ou para apresentar um rol de livros, como sugestão de leitura, afinal ler, amplia o conhecimento. Mas, essa ligeireza toda, pode ser apenas para dar bom dia aos colaboradores do setor.

       É ela, Dra. Sueli Monterroso, aquela que aos 10 anos de idade por influência da mãe, já tinha lido José de Alencar e hoje, para desestressar, relê  inúmeras obras que longe de constituírem parte de um passado, são lembranças sempre presentes, porque muitas foram verdadeiros instrumentos para sua formação cultural e espiritual, tantas foram as transformações provocadas.

       De clássicos como “Quo Vadis” (romance sobre a Roma imperial de Nero e perseguição aos cristãos após o grande incêndio) aos gibis (Tio Patinhas, o preferido), são viagens literárias que em paralelo aos roteiros reais, a levaram a diferentes caminhos e culturas.

        “A pandemia me fez voltar aos livros que ajudaram na minha formação cultural, me acompanharam na formação profissional e me acompanham até hoje. Reler Hermann Hesse (“Sidarta”, “O Lobo da Estepe” e outros) e “Revolução dos Bichos” (George Orwell), que me ajudaram a ser menos ansiosa, me faz muito bem. Recordar clássicos como “Quo Vadis” (Heuryk Sienkiewicz) e “Admirável Mundo Novo” (Aldous Huxley), duas das obras que ajudaram a mudar minha filosofia de vida, me fazem rever minha história e consequentemente, me levam para longe, para onde não levo o estresse.

       Leio desde pequena e dessa época tenho boas recordações, entre elas a rigidez do horário em que à noite, papai apagava as luzes da casa: hora de dormir e ninguém contestava. Esperava que todos dormissem, acendia a lanterna que escondia sob o travesseiro, e em baixo do cobertor continuava a leitura. Ler no banheiro fingindo que estava lavando os cabelos, outra deliciosa recordação. E a felicidade de receber pelo correio o lançamento do mês do Clube do Livro…impagável.

       Com tantas obras maravilhosas que precisavam ser lidas, me habituei a ler dois, até três livros ao mesmo tempo. Além de ler, adoro viajar, mas a pandemia não me permite viagem fora dos livros. Como não há situação boa ou ruim que não nos deixe lições, esta realidade difícil que estamos vivendo está me fazendo rever não apenas as obras preferidas, mas o conceito de consumismo e entender de uma vez por todas que não precisamos de tudo que compramos, por mais básico que seja. Isso, com certeza, não se aplica à leitura que uso para desestressar”.

       Dra. Sueli que atualmente lê “Crer ou não crer” (Fernando Karnal e Padre Fábio de Melo) e “Pandemias – A humanidade em risco” de Stefan Cunha Ujvari, aceitou a sugestão de reler “A Peste” de Albert Camus. Afinal, ler simultaneamente, gêneros distintos é, não apenas uma de suas especialidades, mas também forma de desestressar.

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