Crise na Saúde: hospitais filantrópicos e particulares da Baixada Santista acendem ‘luz amarela’

Crise na Saúde: hospitais filantrópicos e particulares da Baixada Santista acendem ‘luz amarela’

Hospitais filantrópicos e privados da região se unem para assegurar à população, atendimento digno e dentro dos parâmetros preconizados pelos órgãos reguladores da saúde, diante da situação de penúria a que estes hospitais são submetidos diante das tabelas desatualizadas do SUS e dos planos de saúde. Na manhã desta sexta-feira (20), representantes de três desses hospitais estiveram no salão nobre da Beneficência Portuguesa para entrevista à Imprensa sobre o assunto e para entrega de documento “Esclarecimento Público” que detalha as ações do grupo, a situação e expectativas com relação à prestação dos serviços SUS, além das consequências do fechamento de postos de trabalho na saúde pública e suplementar da região.

A coletiva foi aberta pelo presidente da Beneficência Portuguesa, Ademir Pestana que apresentou os demais participantes e fez uma síntese das reuniões realizadas pelo grupo formado até o momento por sete hospitais, entre filantrópicos e privados e na sequência passou a palavra para o presidente do Sindhosfil – Sindicato das Santas Casas de Misericórdias e Hospitais Filantrópicos – Litorais Norte e Sul de São Paulo, Urbano Barramonde Manso.

“Não vamos aguentar. Hospitais filantrópicos não têm condições de manter o nível de atendimento quer seja ao Sistema Único de Saúde (SUS) e/ou particular porque um grande número de usuários está deixando os planos de saúde e engrossando as filas do SUS, sobrecarregando o atendimento nesse âmbito que já se encontra saturado em função da disparidade entre custos e pagamentos”. Com essa frase, o presidente do Sindhosfil – Sindicato das Santas Casas de Misericórdias e Hospitais Filantrópicos – Litorais Norte e Sul de São Paulo, Urbano Barramonde Manso, também presidente da Associação Santamarense de Beneficência do Guarujá, provedora do Hospital Santo Amaro, deu o tom da entrevista coletiva de hospitais filantrópicos e privados, realizada nesta sexta-feira (20), no salão nobre da Beneficência Portuguesa.

O encontro foi aberto pelo presidente da Sociedade Portuguesa de Beneficência, Ademir Pestana que explicou o objetivo da união dos hospitais filantrópicos e privados, que independentemente da particularidade de cada instituição, enfrentam problemas comuns de manutenção do atendimento hospitalar, em função de tabelas de preços defasadas, quer seja referente a repasse SUS ou a planos de saúde.

 “Juntos, esclarecemos à população, por intermédio da Imprensa, que queremos assegurar tratamento de saúde digno e de acordo com os protocolos que norteiam o atendimento à saúde, mas para isso é preciso que o Governo Federal reveja uma série de parâmetros e principalmente valores destinados ao custeio dos pacientes SUS, há anos, aquém da realidade, o mesmo acontecendo com tabelas dos planos de saúde”, disse o representante da Beneficência Portuguesa, ressaltando que os hospitais filantrópicos além de perceberam do SUS, apenas, cerca de 60% do valor de um atendimento, ficam impossibilitados de receber verbas suplementares, em função da maioria ter pendência com relação a impostos. “É quase impossível aos filantrópicos pagar impostos em dia, quando mal recebem pela prestação de serviço” conclui.

Para o diretor administrativo do Hospital São Lucas, Sérgio Paes de Melo, o governo não tem intenção de resolver os problemas dos hospitais filantrópicos que cresce com a crise financeira. “O governo de modo geral não tem interesse em solucionar o grave problema dos filantrópicos, mas sem eles, a saúde não existe porque os particulares nem tem como assumir essa parcela, embora também, atendemos emergências e não recebemos por esse atendimento. Estamos nos unindo para tentarmos uma solução junto aos governos, pois precisamos ser dignamente pagos pelo que trabalhamos (os hospitais). Hospitais particulares e filantrópicos precisam ter tabelas reajustadas para tentarmos manter o equilíbrio, porque do contrário não aguentaremos por muito tempo. Não pode o governo ignorar a realidade”.

Dr. João Domingos Neto, tesoureiro da Santa Casa de Misericórdia de Santos, maior hospital da região, com 700 leitos, dos quais 60% destinado ao SUS como preconiza o Ministério da Saúde, enfatiza: “Se a Santa Casa deixar de tender o SUS, o que será da população?… E todos sabem que não é isso que a Santa Casa quer (encerrar atendimento SUS), mas se a situação não mudar, o provedor vai ter que entregar esse serviço, porque o custo é muito alto e não recebemos valores que pelo menos se aproximem dos custos atuais, quer na internação e nos demais serviços realizados – de suporte à realização de exames e uma gama de procedimentos”.

Socorro –  Ademir Pestana, da Beneficência Portuguesa e Sérgio de Melo, do Hospital São Lucas, disseram que é humanamente impossível trabalhar sem fluxo de caixa e pagar altos impostos a quem os remunera mal e manter atendimento de excelência como querem.

Para exemplificar a relação díspare entre atendimento hospitalar e pagamento SUS, o diretor técnico da Beneficência Portuguesa, Mario da Costa Cardoso Filho, lembrou que, quando a maternidade da instituição funcionava (fechada em 13 de dezembro de 2013), um parto era pago pelo SUS ao valor de R$ 200,00, enquanto um cinegrafista cobrava cerca de R$ 780,00 para o registro, o que deixava a equipe médica e os demais envolvidos no atendimento, indignados. Lembrou ainda que de acordo com pesquisa realizada de 2000 a 2015, a Região Metropolitana da Baixada Santista é a mais mal remunerada pelo SUS e para isso, o critério adotado pelo governo é meramente político. Com o diretor técnico, presente também à coletiva, o diretor financeiro da Beneficência, Carlos Alberto Limas.

A crise financeira que assola o País é generalizada, mas na saúde, diz Sérgio Melo, do Hospital São Lucas “é sem sombra de dúvidas, gigantesca e assustadora. Os hospitais não têm como continuar atendendo, pois aos poucos, até planos de saúde deixam de ser atendidos em função da falta de pagamento”, no que concorda o médico Urbano Barramonde Manso, presidente do Hospital Santo Amaro, Guarujá: “Há um mês tivemos que encerrar o atendimento ao plano Transmontano, pois não há como continuar atendendo sem pagamento”.

Também presidente do Sindhosfil, Urbano Barramonde Manso foi enfático ao encerramento da coletiva: “Estamos pedindo socorro e se isso não acontecer imediatamente só nos resta uma saída: diminuir o serviço. Estamos aqui nesse encontro para ascende a luz amarela”.

Ao final, os dirigentes dos hospitais presentes entregaram à imprensa, cópia de documento “Esclarecimento Público”, no qual explicam as razões da união de filantrópicos e privados para um trabalho conjunto, a situação e expectativas com relação à prestação dos serviços SUS, além das consequências do fechamento de postos de trabalho na saúde pública e suplementar da região.

Fazem parte do grupo, os seguintes hospitais: Beneficência Portuguesa, Santa Casa, São Lucas, Infantil Gonzaga, Casa de Saúde de Santos, Santo Amaro (Guarujá) e São José (São Vicente)

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